terça-feira, 13 de junho de 2017

Feanor, a espada da Lua.

Quando se fica durante um mês em cativeiro, convivendo com os ratos e as sombras das masmorras, a constante luta para se manter em pé é apenas mais um dos traços cruéis desta pintura grotesca. O presente se torna uma dimensão distante, que eu só conseguia acessar através da dor, promovida pelos açoites e surras que levava de meus algozes. A única e constante realidade reproduzida em minha mente era o passado, que em meio a pancadas e delírios de febre vinha me assombrar nas noites de solidão em minha cela. Dos tempos em que vivi nos corredores e salões do Reino de Dannadarion, só me restou a lembrança e um grande desejo de algum dia voltar a ver o grande portão Branco dos Andarin, e de novamente pisar nas arenas de esgrima de Esgaterion. Quando eu e meus companheiros Tass e Yondaff fomos capturados pelos seguidores de Loviatar, uma das precauções que eles tomaram foi em mutilar a minha mão do sabre, me impossibilitando de usar o estilo da Lua de Sangue, que me foi passado pelo mestre Espadachim Kenareth Idríl. Fui criado nos salões da casa do sábio Rei Turandor, que me adotou como seu protegido após me achar desmaiado sobre o cadáver de meus pais, como sobrevivente do Grande Massacre de Elros. Tento lembrar de seus rostos todos os dias, mas o que me resta é apenas a sombra, um pequeno vestígio, uma silueta da essência de seus seres, que insisto em lembrar sempre ao olhar para o céu, nas noites em que a mãe Lua sai para dançar com as estrelas. Ser um protegido da casa de Turandor me garantiu uma educação plena, não apenas uma formação voltada para as disciplinas ligadas ao desenvolvimento do corpo, mas também da alma e do ser. Minha infância foi permeada por lições de hipismo, esgrima, navegação e atletismo, mas o que mais me chamava a atenção eram os ensinamentos de Merin Orodreth, o velho druida que nos falava sobre história, geografia, religião, botânica, Musica e Poesia. Porém, o verdadeiro tesouro do Rei Turandor, não estava em seu gracioso palácio subterrâneo, e muito menos era a quantidade e qualidade de entretenimento que o Rei oferecia a sua corte; sua jóia mais preciosa era sua filha Elwing, que como sacerdotisa de Selûne, estava prometida em casamento ao filho do Rei da Floresta das Falas, onde através do casamento com Elwing no dia do Festival de Bel, o herdeiro do trono selaria seu pacto de apoio econômico e militar com Turandor e espiritual com a mãe Terra, através da consumação carnal entre ele e Elwing. Seu nome era Sindar Marach.

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