terça-feira, 13 de junho de 2017
Vida e morte.
No pequeno laboratório improvisado em uma toca nas raízes de uma arvore; vestido de negro a criatura caminhava impacientemente, conferindo os títulos escritos nos frascos cuidadosamente, arrumados na prateleira. No canto direito da sala, a luz da lareira de pedra fornecia a luminosidade necessária para se iluminar todo o cômodo, que estranhamente lembrava uma mistura entre casa e laboratório, mesclando pequenos móveis e aparelhos de alquimia.
O centro da sala, estava preenchido por uma banheira, não como aquelas que se encontram nos palácios e castelos dos nobres, mas uma banheira rústica feita de um tipo de metal desconhecido pelos humanos ; onde a pequena criatura despejava suas poções e cuidadosamente mantinha conservado o cadáver feminino que jazia ali mergulhado, em meio as ervas e a mistura preparada pela criatura. Ligada a banheira havia uma haste de metal de se projeta para o telhado da toca.
- Creio que com isso, conseguiremos manter ela conservada Myrkull, até que a tempestade nos dê o ar de sua graça. Disse o gnomo despejando na banheira um liquido verde e pegajoso, proveniente de um frasco de vidro todo retorcido, que acabara de retirar da estante.
De baixo da estante um gato negro surge se espreguiçando e encara o feiticeiro com seus profundos e grandes olhos vermelhos; olhos vermelhos que se assemelhavam ao sangue derramado das vitimas de assassinatos, nos becos e vielas das grandes cidades.
- Desta vez, ninguém vai nos impedir de ficarmos juntos doce Myrcea, filha do maldito Gilet Voz das Águas. Todo esforço que fiz nestes últimos tempos, para te manter incólume, terá valido a pena quando seus olhos abrirem e contemplarem a imensidão da vida eterna. Vociferou a criatura para os quatro cantos do cômodo, e rompendo em uma gargalhada histérica, tomou o gato nos braços começou a sussurrar, no ouvido do animal.
- Isso mesmo meu querido aliado, aquele maldito nunca a terá de volta para ser enterrada na Ilha dos piratas, Myrcea pertence a mim.
O felino pareceu compreender cada palavra pronunciada pelo feiticeiro, e de repente saltou do colo de seu dono e caminhou em direção a pequena janela, iluminada pela luz bruxeleante de uma vela. Como por telepatia, o gnomo entendeu o que seu gato queria dizer, e correu até a janela, para contemplar tal fenômeno atmosférico, que se assemelhava a irá dos deuses, que as vezes açoitavam Faerun, com ventos fortes, trovoadas, relâmpagos, raios e chuva.
- Contemple meu amigo, é chegada a hora de caminharmos pela trilha mais obscura e misteriosa de toda existência; caminho este nunca trilhado por mortais, apenas contemplado pelos heróis e deuses. Esta na hora de andarmos na linha tênue a vida e a morte meu caro, de nós tornarmos senhores da morte.
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