quarta-feira, 19 de julho de 2017
Sandman.
Suas mãos percorriam o braço do instrumento, o som belo e melancólico dos harmônicos,
lembravam - lhe uma canção que mesmo a muito tempo esquecida, ainda era presente.
Uma canção de tempos passados, onde a felicidade era um estado quase sempre constante,
lembrando os sorrisos e as brincadeiras que o tempo tratou de apagar.
Uma canção sem autor, álbum ou banda; uma canção do imaginário, onde quem dita o compasso são as batidas do relógio.
A canção que anteriormente lhe remetia a felicidade, fantasia e esperança; agora é exaustão, labor e muito pesar.
Olha o próprio reflexo no espelho e não reconhece mais quem o encara,
a lagrima escorre, o peito aperta e a canção continua a soar.
Ele para, fica encarando a parede branca em busca de algo, respostas talvez.
Então um grito súbito lhe vem a garganta
- "Me dê o odre, pois quero mais um gole dessa vil substancia",
dentro dele não há vinho ou qualquer tipo de bebida para embriagar-se. Há apenas sequidão, miséria e pobreza. Há apenas areia.
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